Com R$ 500 mil no Tesouro Direto, o rendimento mensal fica entre R$ 3.400 e R$ 4.800 brutos, conforme o título e a taxa contratada. Em um cenário com Selic a 10,75% ao ano, o Tesouro Selic rende cerca de R$ 4.272 por mês antes de impostos, ou R$ 3.631 líquidos com IR de 15%. Já um Tesouro Prefixado de 12% ao ano chega a R$ 4.744 brutos mensais, equivalentes a R$ 4.032 após o imposto.
O valor é uma referência de acumulação, não um salário depositado todo mês. O rendimento é incorporado ao preço do título e só se realiza no resgate. Para transformar R$ 500 mil em renda periódica, é preciso decidir entre resgatar parcelas mensalmente ou comprar títulos com cupom semestral, que pagam juros em datas fixas.
A conta em três passos
Primeiro, converta a taxa anual em mensal com juros compostos: (1 + taxa)^(1/12) − 1. Com 10,75% ao ano, o resultado é 0,854%. Segundo, multiplique pelo patrimônio: R$ 500 mil × 0,00854 = R$ 4.272. Terceiro, aplique o Imposto de Renda sobre o rendimento, não sobre o total.
O terceiro passo é o que mais gente erra. O IR incide apenas sobre o lucro. No exemplo, 15% de R$ 4.272 são R$ 641, e o líquido fica em R$ 3.631. Multiplicar R$ 500 mil por 0,85 daria um número completamente diferente e errado.
Vale lembrar que o mês financeiro tem cerca de 21 dias úteis. Em meses com feriados prolongados, o crédito é um pouco menor; em meses cheios, um pouco maior. A média se ajusta ao longo do ano.
Cenário base com R$ 500 mil
As taxas abaixo são hipotéticas e servem para mostrar a comparação. Elas mudam diariamente e precisam ser consultadas no momento da compra.
| Título | Taxa do exemplo | Bruto por mês | IR de 15% | Líquido por mês |
|---|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2029 | 10,75% ao ano | R$ 4.272 | R$ 641 | R$ 3.631 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 12,00% ao ano | R$ 4.744 | R$ 712 | R$ 4.032 |
| Tesouro IPCA+ 2035 | IPCA 4% + 6% | R$ 4.078 | R$ 612 | R$ 3.466 |
| Tesouro IPCA+ com juros semestrais | IPCA 4% + 6,2% | R$ 4.157 em média | R$ 624 | R$ 3.533 em média |
| Poupança | 0,5% ao mês + TR | R$ 2.550 | isenta | R$ 2.550 |
A distância entre o Tesouro Selic e a poupança passa de R$ 1.000 por mês. Em doze meses, são mais de R$ 12 mil. Mesmo descontando a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano, a vantagem permanece confortável.
Imposto regressivo: o prazo define o resultado
A alíquota do IR no Tesouro Direto cai com o tempo de permanência: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Quem resgata em seis meses entrega quase um quarto do lucro ao fisco.
Com R$ 500 mil, essa diferença tem peso. Um resgate no primeiro semestre com 22,5% de IR reduz o líquido mensal do Tesouro Selic para aproximadamente R$ 3.311, contra R$ 3.631 no patamar de 15%. São R$ 320 por mês a menos só por causa do calendário.
Por isso, o Tesouro Selic é adequado para reserva de emergência, mas não para quem vai girar o dinheiro a cada poucos meses. Para prazos curtos, outras aplicações isentas ou com liquidez podem ser mais eficientes.
Cupom semestral: renda de verdade
O Tesouro IPCA+ com juros semestrais paga cupons duas vezes por ano, em datas definidas pelo vencimento do título. É a opção mais próxima de uma renda periódica dentro do Tesouro Direto, porque o dinheiro cai na conta sem necessidade de resgate.
Há contrapartidas. O cupom interrompe a capitalização: o valor pago deixa de render. Além disso, o imposto é cobrado a cada pagamento, e não só no fim. Para quem quer acumular, o título sem cupom rende mais no longo prazo; para quem precisa de fluxo de caixa, o cupom resolve o problema sem vender o principal.
Com R$ 500 mil em um IPCA+ 2035 com cupom, o pagamento semestral costuma ficar na casa de R$ 25 mil brutos, dependendo da taxa contratada e do valor de mercado na data da compra. Dividido por seis, dá cerca de R$ 4,2 mil por mês, próximo do rendimento teórico mensal.
Quanto dá para sacar sem corroer o patrimônio
Retirar todo o rendimento já é agressivo, porque não sobra margem para inflação e oscilações. Uma regra conservadora limita o saque a 0,4% do patrimônio por mês: R$ 2.000 com R$ 500 mil. Uma regra moderada usa 0,5%, o que dá R$ 2.500.
Quem saca R$ 3.600 por mês, perto do rendimento líquido do Selic, mantém o principal apenas enquanto a taxa ficar estável. Se a Selic cair para 8%, o rendimento mensal líquido cai para cerca de R$ 2.700 e o saque passa a consumir capital. Em dez anos, o patrimônio pode encolher de forma significativa.
O teste mais simples é projetar o saque em termos reais. Se a retirada mensal for corrigida pela inflação e a carteira render apenas a inflação, o patrimônio dura para sempre. Se render inflação mais 3% ao ano e a retirada for de 4% ao ano, o saldo cresce. A matemática é a mesma dos fundos de pensão.
Comparação com LCI, CDB e poupança
Uma LCI que pague 92% do CDI rende perto de R$ 3.945 líquidos por mês com R$ 500 mil, porque é isenta de IR. O valor supera o Tesouro Selic líquido, mas a LCI costuma ter carência de 90 dias e cobertura do FGC limitada a R$ 250 mil por CPF por instituição — o que obriga a dividir o valor entre dois ou três bancos.
Um CDB de 105% do CDI também pode superar o Tesouro, com risco de crédito do banco emissor e, em geral, sem liquidez diária. A poupança perde para todos os cenários acima, com exceção de momentos de Selic muito baixa, quando a remuneração fixa de 0,5% ao mês mais TR se torna competitiva.
A escolha não é só de rentabilidade. Liquidez, garantia, prazo e simplicidade operacional entram na conta. Para R$ 500 mil, diversificar entre Tesouro, LCI e CDB costuma ser mais sensato do que concentrar tudo em uma única aplicação.
Riscos que precisam entrar no cálculo
O primeiro é a marcação a mercado. Se os juros sobem depois da compra, o preço de um Prefixado ou IPCA+ cai. Quem vende antes do vencimento pode perder dinheiro mesmo com o título rendendo. Quem leva até o fim recebe a taxa combinada.
O segundo é o reinvestimento. Um título que vence em 2029 será trocado por outro, e a taxa de então pode ser menor. O terceiro é a inflação, que corrói o poder de compra. O quarto é a liquidez: títulos públicos têm resgate diário, mas o preço depende do mercado naquele dia.
Há ainda o risco de comportamento. Ver o patrimônio oscilar e resgatar no pior momento é o erro mais caro do investidor de renda fixa. Definir o objetivo antes de comprar reduz bastante esse risco.
Opinião de especialista
Sofia Andrade Lemos, consultora de investimentos, a nosso pedido: «R$ 500 mil é o ponto em que a pergunta deixa de ser sobre rendimento e passa a ser sobre estrutura. Vejo pessoas calculando o juro mensal para decidir se param de trabalhar, sem reservar nada para saúde, impostos e imprevistos. Meu critério é simples: primeiro seis a doze meses de despesas em liquidez diária, depois o resto dividido por objetivo e prazo. Só então faz sentido olhar a taxa. Quem inverte a ordem acaba vendendo um título longo no pior momento e transformando um rendimento de 10% ao ano em prejuízo».
Perguntas frequentes
Quanto rende R$ 500 mil por mês no Tesouro Direto?
Entre R$ 3.400 e R$ 4.800 brutos, conforme o título. Com Selic a 10,75%, o Tesouro Selic rende cerca de R$ 4.272 brutos, ou R$ 3.631 líquidos.
Dá para viver com R$ 500 mil?
Com saque conservador de 0,4% ao mês, são R$ 2.000. É possível viver com esse valor em cidades pequenas, mas a margem é apertada.
Qual título paga todo mês?
Nenhum paga mensalmente. O IPCA+ com juros semestrais paga a cada seis meses; os demais acumulam e só liquidam no resgate.
O imposto é cobrado todo mês?
Não. No Tesouro Direto, o IR é retido no resgate, com alíquota de 22,5% a 15% conforme o prazo.
Vale mais que a poupança?
Sim. No exemplo, a diferença passa de R$ 1.000 por mês a favor do Tesouro Selic.
Preciso pagar taxa?
A B3 cobra 0,20% ao ano de custódia. A corretagem é zero na maioria das corretoras.