Com R$ 200 mil no Tesouro Direto, o rendimento mensal fica entre R$ 1.380 e R$ 1.900 brutos, dependendo do título e da taxa contratada. Em um cenário com Selic a 10,75% ao ano, o Tesouro Selic 2029 rende cerca de R$ 1.709 por mês antes de impostos, ou aproximadamente R$ 1.453 líquidos com o Imposto de Renda no patamar de 15%. Um Tesouro Prefixado de 12% ao ano sobe para perto de R$ 1.898 brutos mensais.
Esses números não caem na conta como salário. O Tesouro Direto é um investimento de acumulação: o rendimento é incorporado ao valor do título e só se transforma em dinheiro quando você resgata ou recebe cupom. Ainda assim, calcular o equivalente mensal é a melhor forma de comparar títulos, avaliar se vale a pena migrar da poupança e planejar uma renda futura.
Como se calcula o rendimento mensal
A conta parte da taxa anual e a converte para o mês. O correto é usar juros compostos: eleva-se (1 + taxa) a 1/12 e subtrai-se 1. Com 10,75% ao ano, a taxa mensal equivalente é de 0,854%. Sobre R$ 200 mil, isso dá R$ 1.709 no primeiro mês.
Há um detalhe prático: o mercado financeiro conta meses em dias úteis, não em dias corridos. Um mês típico tem 21 dias úteis de rendimento. Por isso, o valor creditado varia um pouco entre fevereiro e março, por exemplo. Para planejamento, a aproximação mensal composta é suficiente.
Outro ponto é que a taxa de compra não é a taxa de mercado de hoje. Quem comprou um Prefixado a 13% ao ano continua recebendo 13% até o vencimento, mesmo que o título novo seja emitido a 11%. Quem compra agora trava a taxa atual. É por isso que duas pessoas com R$ 200 mil no mesmo título podem ter rendimentos diferentes.
O papel da Selic e do CDI
O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros, com pequeno prêmio ou deságio. Quando o Copom sobe a Selic, o rendimento do título sobe; quando corta, cai. Já o Tesouro Prefixado trava a taxa no momento da compra e o Tesouro IPCA+ trava a taxa real, com a inflação somada por cima.
Na prática, o Tesouro Selic é o título mais previsível de todos. Seu preço tem pouca oscilação e a liquidez é diária. Em troca, costuma render menos que um Prefixado em cenários de queda de juros, porque não oferece prêmio por prazo.
Quanto rendem R$ 200 mil em cada título
A tabela abaixo usa três cenários hipotéticos, apenas para mostrar a mecânica da conta. As taxas mudam todos os dias e devem ser conferidas no site do Tesouro antes de qualquer decisão.
| Título | Taxa usada no exemplo | Rendimento bruto por mês | IR de 15% | Líquido por mês |
|---|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2029 | 10,75% ao ano | R$ 1.709 | R$ 256 | R$ 1.453 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 12,00% ao ano | R$ 1.898 | R$ 285 | R$ 1.613 |
| Tesouro IPCA+ 2035 | IPCA 4% + 6% (10,24% nominal) | R$ 1.631 | R$ 245 | R$ 1.386 |
| Poupança | 0,5% ao mês + TR | R$ 1.020 | isenta | R$ 1.020 |
A diferença entre o Tesouro Selic e a poupança é de mais de R$ 400 por mês no exemplo. Em um ano, isso representa cerca de R$ 5 mil a mais. A vantagem existe, mas exige abrir conta em uma corretora, o que hoje é gratuito e leva poucos minutos.
O Imposto de Renda muda tudo
O IR no Tesouro Direto é cobrado apenas no resgate ou no vencimento, sobre o lucro, com alíquota regressiva: 22,5% para aplicações de até 180 dias, 20% até 360 dias, 17,5% até 720 dias e 15% acima de 720 dias. Quem resgata cedo paga mais.
Isso cria um incentivo claro para prazos longos. Um título com rendimento parecido pode entregar bem menos se o dinheiro for retirado em seis meses. Para quem precisa de liquidez imediata, o Tesouro Selic é o mais indicado justamente porque permite resgate sem perda de principal, embora o imposto incida do mesmo jeito.
Há também a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano sobre o valor investido, cobrada semestralmente. Ela é pequena, mas come parte do rendimento. Corretoras costumam isentar a corretagem, e algumas isentam a custódia em certas condições.
Tesouro Selic, Prefixado ou IPCA+
O Tesouro Selic serve para reserva de emergência e para quem pode precisar do dinheiro a qualquer momento. O Prefixado faz sentido quando a expectativa é de queda de juros, porque garante a taxa atual por todo o prazo. O IPCA+ protege o poder de compra e é o mais adequado para objetivos longos, como aposentadoria.
Com R$ 200 mil, uma estratégia comum é dividir: uma parte no Selic para liquidez, uma parte no IPCA+ para longo prazo e, se houver convicção sobre juros, uma parcela no Prefixado. A divisão depende do horizonte de cada objetivo, não de previsões de curto prazo.
Rendimento não é renda mensal
Para transformar os R$ 200 mil em renda mensal de verdade, é preciso resgatar parte do valor todos os meses. Se você retirar os R$ 1.453 líquidos mensais, o principal permanece estável apenas se a taxa se mantiver. Se retirar mais do que o rendimento, o patrimônio encolhe e a renda futura cai.
Uma regra conservadora é limitar a retirada a 0,4% do patrimônio por mês, o que daria R$ 800 com R$ 200 mil. A diferença em relação ao rendimento total existe para cobrir inflação, oscilações de taxa e imprevistos. Quem ignora essa margem costuma descobrir o problema dez anos depois.
Riscos que o número esconde
O primeiro é a marcação a mercado: títulos Prefixado e IPCA+ oscilam de preço antes do vencimento. Se os juros sobem, o valor do título cai. Quem segura até o vencimento recebe a taxa contratada, mas quem vende antes pode ter prejuízo.
O segundo é o risco de reinvestimento. Um título que vence em 2029 precisa ser trocado por outro, e a taxa disponível naquele momento pode ser menor. O terceiro é a inflação: um rendimento nominal de 10% com inflação de 6% entrega ganho real de menos de 4%.
O quarto é o risco fiscal e de crédito soberano, baixo no Brasil, mas não nulo. O Tesouro Nacional é o emissor, e o FGC não cobre títulos públicos. A garantia é a solvência do Estado, o que na prática é bastante sólido, mas não é a mesma coisa que um seguro.
Opinião de especialista
Marcelo Tavares Nogueira, planejador financeiro, a nosso pedido: «Vejo muita gente calcular o rendimento mensal de R$ 200 mil e tratar o número como se fosse salário. Não é. O título rende todos os dias, mas o dinheiro só sai quando você resgata, e o resgate antecipado de um Prefixado pode transformar ganho em perda por causa da marcação a mercado. Minha orientação é separar três caixas: reserva de emergência no Tesouro Selic, objetivos de médio prazo em títulos com vencimento compatível e aposentadoria em IPCA+. Quem faz essa separação para de olhar a taxa do dia e passa a olhar o prazo, que é o que realmente define o resultado».
Perguntas frequentes
Quanto rende R$ 200 mil no Tesouro Direto por mês?
Entre R$ 1.380 e R$ 1.900 brutos, conforme o título e a taxa. Com Selic a 10,75%, o Tesouro Selic rende cerca de R$ 1.709 brutos.
O rendimento cai na conta todo mês?
Não. Ele é incorporado ao valor do título e só vira dinheiro no resgate ou no vencimento, salvo títulos com cupom semestral.
Qual título rende mais com R$ 200 mil?
Depende do prazo e do cenário de juros. O Prefixado tende a render mais se os juros caírem; o Selic acompanha a taxa básica.
Vale mais que a poupança?
Sim, na maioria dos cenários. No exemplo, a diferença passa de R$ 400 por mês.
Preciso pagar imposto todo mês?
Não. O IR é retido no resgate, com alíquota regressiva de 22,5% a 15%.
Posso viver dos R$ 200 mil?
Com retirada conservadora de 0,4% ao mês, daria cerca de R$ 800. Viver só do rendimento exige patrimônio maior.